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Entrevista com Marta Graça Ferreira, CEO da Real Vida Seguros

A FULLCOVER conversou com Marta Graça Ferreira sobre o seu percurso rico e variado no setor segurador e da sua missão na Real Vida Seguros, hoje no top 6 do ramo Vida, sempre com o foco na inovação, na formação e na criação de produtos que atendam às necessidades dos clientes. Abordou ainda o papel dos seguros de vida como um pilar essencial de proteção financeira para as famílias e empresas e da importante missão de promoção de literacia em seguros que levou a Real Vida Seguros a associar-se à MDS na edição do mais recente livro da coleção Keep It Simple – Seguro de Vida.

Estudou Economia na Universidade Nova de Lisboa. Durante a faculdade, já trabalhava. Quer contar-nos como foi?

Sim, desde muito cedo tive contacto com o mundo do trabalho. Enquanto estudava Economia na Universidade Nova de Lisboa, tinha de dar suporte ao negócio de família, principalmente como filha única. Foi, sem dúvida, uma experiência valiosa onde muito cedo, ganhei a noção, do que é um negócio e todas as responsabilidades que tal acarreta. Lembro-me de ter a preocupação em ajudar na procura de soluções por forma a manter a nossa empresa familiar sustentável, ao longo de alguns ciclos económicos.


Tinha algum sonho de carreira? O que a fez ingressar no setor segurador?

Quando terminei a licenciatura, as minhas opções profissionais eram a banca, a área financeira ou os seguros. A escolha pelo setor segurador aconteceu de forma natural, pois sempre fui fascinada pela avaliação do risco e pela forma como este pode ser mitigado.

Se tivesse de definir um sonho de carreira, diria que sempre quis estar num ambiente dinâmico, onde pudesse crescer e aprender continuamente. No setor segurador, todos os dias há novos desafios, novas necessidades dos clientes, novas soluções a desenvolver. Essa constante evolução manteve-me sempre motivada e foi o que me levou a permanecer nesta indústria por mais de duas décadas.

Se tivesse de definir um sonho de carreira, diria que sempre quis estar num ambiente dinâmico, onde pudesse crescer e aprender continuamente. No setor segurador, todos os dias há novos desafios, novas necessidades dos clientes, novas soluções a desenvolver.

Tem um percurso de carreira muito rico e variado, por várias seguradoras. Quer falar-nos um pouco das empresas por onde passou e das funções que desempenhou?

O meu percurso começou na Mundial Confiança, onde trabalhei no canal bancário, prestando apoio à comercialização de seguros. Posteriormente, integrei a Allianz Portugal, onde saí de um canal bancário para ingressar na área dos grandes riscos industriais. Foi uma mudança significativa, pois passei a trabalhar diretamente com corretores e a lidar com seguros de grande complexidade técnica, com capitais seguros muito elevados.

Mais tarde, juntei-me à Tranquilidade, onde desempenhei funções comerciais e, ao fim de um ano e meio, fui promovida a gerente de delegação. Foi um grande desafio porque assumi a liderança de uma equipa onde eu era a mais jovem, mas aprendi muito sobre gestão de pessoas, definição de estratégias e acompanhamento comercial.

Depois surgiu a oportunidade de entrar na MetLife, onde fiz a transição para o ramo Vida. Ali, fui responsável pelo canal de mediação e consegui transformar um segmento pouco explorado num caso de sucesso dentro da companhia. Finalmente, aceitei o desafio da Real Vida Seguros, que tinha acabado de ser privatizada e precisava de uma reestruturação completa.

 

Trabalhou durante vários anos em Ramos Não Vida, enveredando depois pelo Ramo Vida. Como surgiu esta oportunidade e o que significou para si?

A transição para o ramo Vida aconteceu quando entrei na MetLife. No início, foi um grande desafio, porque estava habituada a trabalhar com riscos de danos materiais e, de repente, passei a lidar com a análise de risco clínico, algo completamente diferente.

Naquela época, a venda de seguros de vida ainda era pouco desenvolvida ao nível dos agentes multimarca. Havia uma grande resistência porque permanecia a crença que os clientes só comprariam seguros obrigatórios, como automóvel e multirriscos habitação. O desafio foi precisamente mudar essa mentalidade e demonstrar que os seguros de vida podiam ser um pilar essencial de proteção financeira para as famílias. Foi um período de muita aprendizagem, onde tive de adquirir rapidamente conhecimentos sobre avaliação de risco clínico e desenvolver estratégias eficazes de venda de seguros de vida.

 

Está há já vários anos na Real Vida. Quais considera serem os traços mais relevantes do seu contributo para a empresa?

Acredito que a minha principal contribuição para a Real Vida Seguros foi a mudança estratégica que implementámos, na ótica de nos posicionarmos como especialistas no Ramo Vida. Quando ingressei na empresa, ela estava no processo de transição para o setor privado e enfrentava diversos desafios. Criámos uma cultura interna, apostámos fortemente na formação, criámos uma academia de formação e estabelecemos novos canais de distribuição, como a rede exclusiva de agentes.

O nosso objetivo era tornar a empresa sustentável e competitiva, e conseguimos. Hoje, a Real Vida está no top 6 do ramo Vida, apesar de não termos um banco como canal de distribuição, o que é um feito notável no mercado segurador.

Hoje, a Real Vida está no top 6 do ramo Vida, apesar de não termos um banco como canal de distribuição, o que é um feito notável no mercado segurador.

Enquanto CEO da Real Vida, qual é a sua missão?

A minha missão é garantir que a Real Vida Seguros continue a crescer de forma sustentável, mantendo a posição no mercado como “os especialistas” na nossa Área, sempre com o foco na inovação, na formação e na criação de produtos que verdadeiramente atendam às necessidades dos clientes. Acreditamos que uma seguradora só pode ser bem-sucedida se tiver uma equipa comprometida e preparada, por isso, investimos muito no desenvolvimento das pessoas.

A minha missão é garantir que a Real Vida Seguros continue a crescer de forma sustentável, mantendo a posição no mercado como “os especialistas” na nossa Área, sempre com o foco na inovação, na formação e na criação de produtos que verdadeiramente atendam às necessidades dos clientes.

Ao longo dos anos, a Real Vida tem-se destacado pelo seu crescimento neste ramo e no consequente aumento de quota de mercado. A que atribui esse crescimento?

Esse crescimento deve-se a uma combinação de 3 fatores: Pessoas, Processos e Produtos.

Foco na formação das equipas comerciais e técnicas, através da melhoria de vários tipos de competências, adicionalmente preparando as equipas para transformação tecnológica. Promover uma cultura de proximidade junto dos nossos agentes e clientes levou-nos à diversificação dos canais de distribuição o que nos permite chegar ao cliente final de formas diferentes, por via da segmentação.

Aposta na inovação, nomeadamente no processo de venda que se veio a tornar bastante ágil e rápido sem burocracias.

Desenvolvimento de produtos inovadores que conciliam coberturas de vida, saúde e poupança em prol das necessidades dos diferentes segmentos de cliente.

 

Qual é para si o principal papel dos seguros de vida na economia em geral e nas empresas e famílias em especial?

Os seguros de vida desempenham um papel essencial na economia, garantindo estabilidade financeira e segurança para indivíduos, famílias e empresas. A sua função vai muito além da simples proteção em caso de falecimento, temos situações de invalidez que têm um enorme impacto financeiro numa família; trata-se de um instrumento estratégico para o planeamento financeiro e a mitigação de riscos de longo prazo. A nível económico, os seguros de vida contribuem para a sustentabilidade do sistema financeiro, ajudando a reduzir a dependência das famílias dos apoios do estado em situações de infortúnio. Além disso, impulsionam o investimento e a poupança, uma vez que muitos produtos de seguro de vida estão associados a soluções de capitalização, como planos de poupança reforma (PPR) e outros produtos de investimento. Estes mecanismos permitem que os segurados constituam reservas financeiras, promovendo maior estabilidade económica.

No contexto das empresas, os seguros de vida são ferramentas essenciais para a continuidade dos negócios. Em empresas familiares ou PME, a perda inesperada de um sócio ou homem-chave pode comprometer a operação da empresa, gerar dificuldades financeiras ou mesmo forçar o encerramento da actividade. O seguro de vida pode ser usado para garantir a sucessão empresarial sem impactos negativos para a organização, fornecendo liquidez para pagar dívidas, compensar a ausência de um colaborador estratégico ou facilitar a transmissão do negócio.

Para as famílias, a importância do seguro de vida é ainda mais evidente. Este assegura a proteção financeira dos dependentes em caso de morte ou invalidez do segurado, garantindo que despesas essenciais, como habitação, educação e saúde, possam ser cobertas sem comprometer a qualidade de vida dos beneficiários. Num cenário de doença grave ou incapacidade, os seguros de vida com coberturas adicionais podem proporcionar um apoio financeiro vital para tratamentos médicos, adaptação de habitação e outras necessidades específicas. Em resumo, o seguro de vida é uma peça-chave para assegurar a qualidade de vida das pessoas, famílias e empresas através de uma proteção financeira. Num mundo onde a incerteza é uma constante, estas soluções oferecem segurança e tranquilidade, permitindo que pessoas e organizações possam enfrentar o futuro com maior confiança.

No contexto das empresas, os seguros de vida são ferramentas essenciais para a continuidade dos negócios.

Como perspetiva o futuro do seguro de Vida em Portugal? Que novidades podemos esperar na Real Vida para os tornar mais atrativos?

O futuro do seguro de vida em Portugal será marcado por uma profunda transformação, impulsionada por vários fatores, tais como o envelhecimento da população com a esperança média de vida que tem aumentado significativamente, o que exige uma adaptação dos produtos de seguros para responder às novas necessidades e tipologias de clientes. Será necessário criar seguros mais ajustados a pessoas com idades mais avançadas, bem como desenvolver soluções que contemplem cuidados de saúde prolongados e proteção para a reforma. No que concerne à digitalização e inovação tecnológica, o setor segurador está a passar por um processo acelerado de digitalização, com a implementação de soluções baseadas em inteligência artificial, automação e análise de dados. A tecnologia permitirá um atendimento mais rápido e eficiente, processos de subscrição simplificados e produtos personalizados conforme o perfil do cliente. Já no que diz respeito às alterações nos padrões de consumo e expectativas dos clientes, as novas gerações procuram produtos mais flexíveis, fáceis de contratar e com coberturas adaptáveis ao seu estilo de vida. A transparência e a experiência digital serão cada vez mais fatores diferenciadores na escolha de uma seguradora. Terminaria com um tema que me parece de extrema importância que diz respeito à sustentabilidade e critérios ESG (Environmental, Social, and Governance). Porque as seguradoras terão um papel cada vez mais relevante na promoção da sustentabilidade, tanto na forma como gerem os seus investimentos como na criação de produtos alinhados com boas práticas ambientais e sociais.

 

A Real Vida tem duas linhas principais de negócio – O seguro de vida risco e os produtos financeiros, nomeadamente PPR’s. São duas linhas complementares de proteção para as famílias e empresas?

Sim, sem dúvida. Os seguros de vida risco garantem proteção imediata em caso de imprevistos como o falecimento, a invalidez e até o diagnóstico de uma doença grave, enquanto os PPR’s asseguram um complemento à reforma na ótica da poupança e segurança financeira a longo prazo. São produtos que se complementam e permitem às famílias e empresas planear e aumentar a sua resiliência face ao futuro.

Quais as suas principais preocupações relativamente ao seguro de vida e ao seu futuro?

Na Real Vida Seguros, a nossa principal preocupação relativamente ao futuro do seguro de vida passa por garantir que o setor continue a evoluir de forma sustentável e inovadora, de modo a responder eficazmente às novas necessidades dos clientes. O mercado segurador está em constante transformação e, por isso, exige uma capacidade de adaptação rápida, pois assistimos a fortes mudanças nos padrões de consumo, com uma população envelhecida que vive por mais anos e que procura qualidade de vida, tomando os devidos cuidados para se manter saudável. Tal como, também já referi, as novas gerações encaram o seguro de vida de uma forma diferente, são muito mais desafiantes para o sector, na medida que querem comprar produtos de fácil e rápida subscrição, podendo realizar alterações ou cessar coberturas em função dos eventos das suas vidas, de preferência através do telemóvel. O avanço tecnológico e as exigências regulatórias também estão a moldar o setor. Na Real Vida Seguros, acreditamos que o futuro passa por desenvolver produtos mais modulares e adaptáveis, permitindo que os clientes escolham as coberturas que realmente necessitam e façam ajustes sempre que a sua situação financeira ou familiar se altere. O setor segurador enfrenta ainda uma concorrência crescente por parte das Insurtechs e de novas empresas tecnológicas, que trazem modelos de negócio inovadores e digitais. Para a Real Vida Seguros, esta realidade representa uma oportunidade para reforçar a aposta na transformação digital e explorar novas abordagens ao serviço ao cliente, garantindo que continuamos a oferecer soluções competitivas e alinhadas com as expectativas do consumidor. O futuro do seguro de vida será cada vez mais marcado pela personalização, pela digitalização e pela necessidade de uma abordagem mais próxima e transparente junto dos clientes. O desafio para a Real Vida Seguros será continuar a inovar, garantindo produtos que ofereçam não só proteção, mas também valor acrescentado ao longo da vida dos segurados. O compromisso com a segurança, a confiança e a adaptação às novas realidades do mercado será essencial para reforçar o papel do seguro de vida na economia, na vida das famílias e empresas.

Recentemente, a Real Vida associou-se à MDS na partilha de conhecimento sobre seguros de Vida, através da publicação de um livro da Coleção Keep it Simple, “O Seguro de Vida”. O que vos levou a aderir a este projeto?

Acreditamos que a literacia financeira é essencial para que as pessoas percebam a importância do seguro de Vida. Este livro é uma forma de desmistificar o seguro de vida e torná-lo mais acessível a todos. A literacia financeira continua a ser um desafio significativo, pois muitas pessoas ainda encaram o seguro de vida como uma despesa adicional e não como um investimento na sua segurança e na proteção da sua família. O nosso compromisso passa por contribuir para uma maior consciencialização sobre a importância do seguro de vida, promovendo ações educativas que ajudem os clientes a compreenderem melhor os benefícios destes produtos e a tomarem decisões informadas sobre a sua proteção financeira. Consideramos que o caminho mais eficaz para desenvolver uma cultura ou uma mentalidade de previdência e proteção é através de ações da literacia financeira. Por isso criámos um blog que todos os dias tem inúmeras pesquisas de clientes no sentido de tirarem duvidas sobre soluções de proteção pessoal. O projeto da Coleção Keep it Simple “Seguro de Vida” é mais um contributo para o desenvolvimento desta cultura de proteção e previdência.

Acreditamos que a literacia financeira é essencial para que as pessoas percebam a importância do seguro de Vida. Este livro é uma forma de desmistificar o seguro de vida e torná-lo mais acessível a todos.

O que gosta de fazer nos seus tempos livres? Tem algum hobby?

Gosto muito de passar tempo de qualidade com a família e os amigos. Acredito que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é essencial para manter a motivação, o foco e a energia no trabalho.

Com uma carreira consolidada de mais de duas décadas no setor segurador, Marta Graça Ferreira tem licenciatura em Economia e especialização em Marketing e vendas pela Universidade Nova de Lisboa. Com Mestrado em Gestão Aplicada pelo ISCTE, e especialização em Advanced Corporate Governance pela Nova School of Business and Economics.

Iniciou a sua carreira no setor segurador em 1998, como comercial tendo percorrido todas as etapas da carreira, passando por gerente de delegação, coordenadora, Diretora, Diretora Coordenadora, Administradora, e Vice-presidente do Conselho de administração, sendo atualmente Presidente do Conselho de Administração da Real Vida Seguros S.A.

Ao longo da carreira reuniu competências sólidas e transversais na liderança de unidades de Negócios e no desenvolvimento de Pessoas, com destaque para a Gestão Estratégica Global, em empresas nacionais e multinacionais.

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